Economia

Uma luz no fim do túnel para a Argentina?

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Saulo Pereira

Saulo Pereira

Redator

Introdução

Se ano passado vivemos um momento de incerteza aqui no Brasil com a eleição presidencial, esse ano nossos hermanos estão vivendo talvez o maior momento de incerteza da sua história.

A eleição na Argentina têm gerado grande repercussão, especialmente com a ascensão de candidatos que propõem mudanças significativas para o país (algumas propostas são bem absurdas).

O Que São as Primárias na Argentina?

As primárias na Argentina são uma etapa crucial para definir os candidatos que concorrerão às eleições presidenciais, que ocorrem em 22 de outubro. Por lei, todos os partidos precisam realizar prévias, mesmo que tenham um único candidato.

Neste ano, o comparecimento às urnas foi inferior a 70%, o menor índice para uma eleição primária desde que começaram a ser realizadas no país, há mais de uma década.

Vamos ver agora os principais candidatos.

Javier Milei: O Candidato libertário que Lidera as Primárias

Javier Milei, um economista libertário e autodeclarado "anarcocapitalista", surpreendeu muitos ao liderar as eleições primárias com sua chapa "A Liberdade Avança", conquistando mais de 30% dos votos.

Milei tem propostas audaciosas, como dolarizar a economia argentina e ABOLIR o Banco Central.

Além disso, uma curiosidade sobre este candidato é que ele rifou seu salário de deputado, como uma forma de desprezo aos benefício dos políticos.


Sergio Massa: O Ministro da Economia em Busca da Presidência

Representando o partido governista "União pela Pátria", Sergio Massa foi o segundo candidato mais votado individualmente.

No entanto, seu partido teve um desempenho geral aquém das expectativas, marcando o pior resultado do peronismo nas prévias eleitorais. Massa, que é advogado e tem 51 anos, foca suas promessas de campanha em reduzir a inflação, que atualmente ultrapassa os 100%.

Ele é considerado a esperança peronista, já que o atual presidente, Alberto Fernandez, decidiu não concorrer às eleições.

Patricia Bullrich: A Candidata da Coalizão Unidos pela Mudança

Apesar de sua chapa, "Juntos pela Mudança", ter sido a segunda mais votada, Patricia Bullrich se destacou ao conquistar a vitória em seu próprio partido. Ela é a candidata apoiada pelo ex-presidente Maurício Macri

Bullrich, uma jornalista de 57 anos, defende a remoção rápida dos controles de capital, a redução de gastos para combater a inflação e a diminuição dos impostos sobre as exportações agrícolas, que são o principal motor econômico da Argentina.

Ela é considerada a “dama de ferro” da Argentina.

A situação econômica da Argentina

Se tem uma coisa que não podemos ignorar é a crise econômica que a Argentina enfrenta. A inflação chegou ao seu maior patamar em mais de 30 anos, atingindo 115,6%. Imagina só, os preços subindo e o dinheiro perdendo valor rapidamente. Nesse cenário, Milei, que é economista, tem algumas ideias sobre o que fazer.

Usando o lema "contra a casta política", Milei se apresenta como uma alternativa diferente de tudo que está por aí. (como um bom político em tempos de crise)

Ele viu sua popularidade crescer nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2023, chegando a liderar o primeiro turno.

E quais são as propostas dele?

Milei defende a dolarização argentina como solução para a alta inflação. Para ele, acabar com a inflação não é um bicho de sete cabeças. O desafio mesmo é fazer a economia crescer. Ele acredita que a Argentina, que já foi um dos países mais ricos do mundo no início do século 20, pode voltar a prosperar.

Além disso, Milei tem um plano ambicioso de cortar gastos públicos, privatizar empresas estatais e reduzir os gastos do governo a apenas 10% do PIB em seu primeiro ano de mandato. Ele quer trazer de volta algumas políticas da década de 1990 e se afastar das decisões tomadas pelo ex-presidente Néstor Kirchner.

Dolarização é a solução?

A dolarização da economia pode ser uma solução para conter a alta inflação da Argentina. Se olharmos para a inflação de outro país sul-americano, o Equador, sua economia sofria os mesmos problemas que a Argentina sofre hoje.

A partir do ano 2000 toda a economia foi dolarizada e a inflação hoje em dia não é mais uma dor de cabeça para os equatorianos.

grafico mostrando evolução inflação equador

Além disso, até meados da década passada, o Equador viu sua economia crescer em um ritmo nunca visto antes. Abaixo, o gráfico mostrando a evolução do PIB per capta.

grafico mostrando evolução pib per capta equador

Falta de responsabilidade fiscal

Outro problema que a Argentina sofre, em especial nos últimos, é a falta de responsabilidade com sua moeda, a cada ano imprimindo mais e mais dinheiro.

grafico mostrando evolução base monetaria argentina

Isso se deve principalmente pelo inchaço estatal, onde mais de 50% dos trabalhadores argentino trabalham para o Estado e pelos sucessivos déficit orçamentário que o país apresenta.

grafico mostrando evolução deficit argentina

O que aguardar para o futuro da Argentina?

Javier Milei se apresenta como o candidato de fora que resolverá os principais problemas do país. Essa não é a primeira vez que os se deparam com isso em uma eleição presidencial.

De fato, pode ser que daqui a 20 anos esses problemas como inflação e falta de responsabilidade nos gastos públicos sejam coisa do passado na Argentina, ou pode ser que nada tenha mudado.

A única coisa que podemos ter certeza é que o próximo presidente da Argentina, seja ele Milei, Massa ou Bullrich, terá a difícil tarefa de consertar um país que foi destruído ao longo do último século.

Se você quer saber como a Argentina chegou no fundo do poço temos dois artigos sobre isso:

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